Criança Feliz: cuidados para o desenvolvimento de bebês beneficia 129 mil gestantes

Autor: Redação

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Criança Feliz: cuidados para o desenvolvimento de bebês beneficia 129 mil gestantes
Criança Feliz: cuidados para o desenvolvimento de bebês beneficia 129 mil gestantes – Foto: Sergio Amaral/MDS

 

Cuidados para o desenvolvimento de bebês beneficia 129 mil gestantes do Criança Feliz. Em todo o Brasil, o Criança Feliz leva às famílias orientações de como impulsionar o desenvolvimento cognitivo, motor, socioafetivo e da linguagem das crianças. E os cuidados voltados à saúde e ao desenvolvimento dos pequenos se iniciam já na gestação.

Com o estímulo adequado nesta fase, a criança terá a chance de se tornar um adulto saudável tanto no aspecto físico quanto emocional. Hoje, das 781 mil pessoas atendidas pelo programa do governo federal, 129 mil são mulheres gestantes que carregam na barriga o futuro do País.

Entre elas, Francelaine Alves, 26, moradora de uma pequena casa de madeira na periferia de Esteio (RS). Sentada no sofá, entre sorrisos e expectativas, não esconde a ansiedade para saber o sexo do bebê. Certa noite sonhou que era um menino, moreno, pequeno e gordinho.

“Independente do sexo, estou muito feliz com esse bebezinho”, afirma.

Francelaine tem dois filhos e espera o terceiro bebê. A gestação atual inspira cuidados, já que ela está acima do peso e com diabetes. “Estou controlando a alimentação e sendo acompanhada pela nutricionista, como indicou a moça do Criança Feliz”, explica. Ela encontrou uma equipe do programa no posto de saúde. Ao falar da gravidez, pediu acompanhamento e passou um telefone de contato. Pouco depois, as visitas começaram.

Para quem gosta de conversar, ou “desabafar”, como Francelaine diz, a chegada semanal da visitadora do programa é um estímulo. “É importante a gente não guardar tudo para si. Meu atual marido me apoia e o Criança Feliz também, com isso me sinto confiante e tranquila”, justifica. As perguntas feitas pela visitadora vão desde o processo de gestação até questões do cotidiano.

“Aprendi a falar com meu filho antes mesmo de ele nascer, a passar o carinho, a calma. Tudo isso ele sente”, conta, empolgada.

Quem atende Francelaine é a estudante de psicologia Pamela Souza. No sétimo semestre da faculdade, ela visita periodicamente 12 famílias. Segundo Pamela, o Criança Feliz também auxilia na sua formação acadêmica, principalmente na preparação para lidar com o público infantil e com diferentes dinâmicas familiares. “Tem famílias completas, mães solteiras, pais que sumiram, crianças criadas pelos avós, enfim, são muitas as realidades”, exemplifica.

Nas visitas, Pamela procura estimular diversos aspectos do desenvolvimento infantil, como a cognição e a linguagem. “Algumas parecem ter dificuldades, mas muitas vezes percebemos que é apenas falta de estímulos adequados. Por isso, é tão importante orientar a mãe, o pai, a avó e os irmãos sobre como estimular o desenvolvimento da criança”, explica. Sendo assim, ela ainda destaca a importância do Criança Feliz na formação dos indivíduos. “A intenção é fazer com que essas crianças vivam uma vida plena e que os problemas que vemos hoje fiquem para trás. Que elas se tornem adultos mais cientes de seus direitos”, pontua.

Sujeitos de direitos

O cuidado com as crianças vem transformando aos poucos a realidade da cidade gaúcha de cerca de 80 mil habitantes. Hoje, o município é um dos destaques na região pelo investimento e pela dedicação da equipe do Criança Feliz. Portanto, para a supervisora municipal do programa, Joelma Guimarães, um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi a integração, ainda em 2018, com o Primeira Infância Melhor (PIM).

O PIM é uma política pública pioneira desenvolvida desde 2003 pelo governo do Rio Grande do Sul e idealizada pelo ministro Osmar Terra, à época secretário estadual de Saúde. Também está baseada em visitas domiciliares e tornou-se a Lei Estadual n.º 12.544 em 3 de julho de 2006. O PIM é uma das principais inspirações do Criança Feliz. “Essas políticas mudaram a forma como as famílias enxergam a criança. Elas passaram a vê-las como um sujeito de direitos. Esse entendimento das capacidades do filho, mesmo antes de ele nascer, é um avanço imenso porque significa mais cuidado”, explica.

De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, a ciência comprova que dar carinho, brincar e cuidar é fundamental para o desenvolvimento das crianças. Principalmente porque o vínculo é sinônimo de segurança. “É esse laço das mães como a Francelaine que vai permitir aos filhos dela aprender a enfrentar o mundo. E isso é o mais importante que as mães podem passar para que os filhos delas tenham um futuro melhor”, afirma.

Sobre o Criança Feliz

Coordenado pelo Ministério da Cidadania por meio da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social, o Criança Feliz promove o desenvolvimento adequado na primeira infância, integrando ações nas áreas de saúde, assistência social, educação, justiça, cultura e direitos humanos. Até o momento, o programa está presente em 2.620 municípios brasileiros e já atendeu mais de 781 mil crianças e gestantes.

No total, mais de 21,2 milhões de visitas domiciliares foram realizadas por cerca de 18,8 mil profissionais capacitados que orientam sobre o desenvolvimento das crianças de até três anos inseridas no Cadastro Único para programas sociais do governo federal e de até seis anos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).