Polícia investiga estupro de 33 homens contra adolescente em comunidade no Rio

Polícia já identificou quatro homens que teriam envolvimento no crime. Divulgação das imagens nas redes sociais chocou o Brasil inteiro.

Autor: G1

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 Um crime absurdo, bárbaro: a polícia pediu a prisão de suspeitos de participar do estupro coletivo a uma adolescente em uma favela do Rio. Ao todo, 33 homens teriam abusado da menina e imagens ainda foram postadas na internet.

A revolta com o crime ultrapassou as fronteiras do Rio. Em Curitiba, velas e cartazes em solidariedade. Os organizadores disseram que a vigília é um abraço simbólico na adolescente violentada.

O crime foi em uma comunidade da Zona Oeste do Rio no fim de semana. A divulgação das imagens nas redes sociais chocou o Brasil inteiro. Muitas pessoas demonstraram indignação e solidariedade à vítima.

No depoimento à polícia, a adolescente, de 16 anos, contou que no último sábado esteve na casa de um rapaz com quem tinha um relacionamento. Eles estavam sozinhos. E que depois só se lembra que acordou no domingo em uma casa na mesma comunidade com 33 homens armados com fuzis e pistolas. Estava dopada e nua.

A família só soube do vídeo e das fotos na internet na quarta-feira. Um parente contou, por telefone, que a adolescente foi ajudada por um agente comunitário.

“A gente chora quando vê o vídeo. O pai dela não aguenta falar que chora muito. Então nosso sentimento é de tristeza, de indignação. Nós estamos assim estarrecidos de ver até que ponto chega a maldade humana”.

A polícia identificou quatro homens que teriam envolvimento no crime e já pediu a prisão deles à Justiça. Marcelo Miranda da Cruz Correa, de 18 anos, e Michel Brasil da Silva, de 20, são suspeitos de divulgarem as imagens na internet. Lucas Perdomo Duarte Santos, de 20 anos, tinha um relacionamento com a adolescente. Nenhum dos três teve a profissão informada pela polícia.

Outro envolvido é Raphael Assis Duarte Belo, de 41 anos. Raphael trabalhou como apoio a operador de câmera nos Estúdios Globo, de onde foi desligado em agosto do ano passado. A polícia não tem a profissão atual dele.

A Organização das Nações Unidas divulgou uma nota pedindo a rigorosa punição dos agressores e afirmou que o estupro, como crime hediondo, não pode ser tolerado nem justificado sob pena do comprometimento da saúde física e emocional das mulheres.

Para a Ordem dos Advogados do Brasil, os atos repulsivos demonstram, lamentavelmente, a cultura machista que ainda existe. “É um crime que violenta todas as mulheres, não apenas essa menina de 16 anos. Mas é um crime contra todas nós. É um crime gravíssimo, perverso, odioso e nós não podemos aceitar”, afirma Daniela Gusmão, da Comissão da OAB-Mulher.