“Ninguém manda nessa nega aqui”, disse Tia Eron sobre voto

Autor: iG

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O voto decisivo foi dado pela deputada Tia Eron (PRB-BA), que sofreu intensa pressão nos últimos dias, faltou à sessão de votação na semana passada e era considerada pelos aliados de Cunha como apoio certo para salvar o mandato do peemedebista.

Em uma fala inflamada nesta terça, ela atacou colegas que criticaram seu sumiço e seu silêncio, afirmando não ter sido “abduzida” e que estava se resguardando. E disse que estava ali para resolver “o problema que os homens não conseguiram resolver”. “Não mandam nessa nêga aqui!”´. As indicações da deputada de que poderia votar contra Cunha levaram o Conselho a desistir de adiar a votação mais uma vez. Em seu voto, ela disse que não poderia absolver Cunha.

Porém ontem, disparou que: “o meu partido, quando foi colocado no imaginário balcão onde a chantagem seria a moeda de troca. Mas, no PRB nossa política é diferente. Por isso votei pela admissibilidade do processo de impeachment, e fui hostilizada até pelas mulheres; achava que apenas os homens eram os nossos algozes”, discursou.

Tia Eron disse ainda que o Conselho de Ética precisa ser “ressignificado”, já que muitos dos membros possuem problemas com a Justiça. Mais cedo, quando chegou atrasada à sessão, ela justificou a ausência na semana passada, dizendo que precisava se “preservar como julgadora”. Dos deputados baianos que integram o colegiado, Paulo Azi (DEM-BA) também votou pela cassação: “Está provado que o representado possui contas no exterior e que sonegou informações. E que esses recursos são de origem ilícita”, justificou. João Carlos Bacelar (PR-BA), por outro lado, lançou mão de vários recursos para livrar Eduardo Cunha. Na semana passada, ele chegou a lançar uma proposta de voto em separado, sugerindo que o mandato do peemedebista fosse suspenso por três meses como forma de punição.

Bacelar ainda se envolveu em um bate-boca com o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), afirmando que, como suplente, havia chegado cedo para garantir o voto caso algum titular se ausentasse. Segundo as regras, os suplentes votam por ordem de chegada.