Homem afirma ter fotografado Santa em Salvador

Autor: Tribuna da Bahia

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Foto: Reginaldo Ipê
Foto: Reginaldo Ipê

 

O mês é de Santo Antônio, São João e São Pedro, mas um episódio ocorrido no dia 25 de maio, mês de Maria e à véspera do feriado de Corpus Christi, próximo à Igreja dos Alagados, em Salvador, pode chamar a atenção até do Vaticano por uma investigação minuciosa e de cunho religioso.

Na madrugada daquela noite, no fim de linha do bairro do Uruguai, Orlando Pereira de Jesus, 46, balconista desempregado e vigilante com o patrimônio da família, acordou com batidas à porta do quarto. Ao despertar e olhar pela janela percebeu uma luz percorrendo lentamente a parede externa da área, utilizada como estacionamento e espaço de atividades recreativas e esportivas com crianças assistidas pela Associação de Capoeira Filhos do Sol Nascente, criada pelo finado Pedro Batista da Silva, Mestre Pé de Ferro, devoto de Nossa Senhora de Fátima, que faleceu em 12 de maio de 2013, Dia das Mães.

Em tempo de equipamentos digitais, rapidamente ele pegou o celular, saiu e começou a fotografar registrando uma sequência de imagens que mostra uma luz em movimento e desaparecendo, para depois, sobre uma lâmpada, ganhar formato de coração e, em seguida, expor um rosto feminino, sereno e angelical, tendo ao lado a imagem de Jesus. Segundo seu relato, a cena o deixou surpreso e dizendo-se “abençoado por Deus”, feliz por demonstrar ter o registro de um momento inédito e especial na vida, diante “de Nossa Senhora”, afirma convicto.

“Foi um sinal. Aqui de noite é tudo claro, mas quando ela apareceu, escureceu ao redor dela, só acusou o visual dela. Eu me afastei, em respeito. Ela não conversou comigo, só ficou me olhando e eu respeitando e fotografando aqui no celular. É branquinha ela, Nossa Senhora de Fátima, como no folheto  que tem a foto dela. Eu fui tirando foto e ela aceitando. Só que eu não fui pegar nela, porque se eu pego eu viro pedra. Eu leio muito a Bíblia, quando levanto e vou dormir. A gente não pode pegar em coisa santa, ainda mais que é luz. E luz é coisa de Deus”, declarou, garantindo que a parição durou cerca de 20 minutos e revelando-se católico, porém sem frequentar igrejas. “Eu acredito em Jesus Cristo e na Bíblia.  Se a religião levasse a sério o que tem na Bíblia o mundo seria uma maravilha. Eu acho que no final das contas eu fui o escolhido, porque sou homem de muita fé”.

Orlando responde ao sobrinho que passa herdeiro da capoeira do pai Mestre Pé de Ferro, “tá certo, meu fio!”, e toca a conversar com a reportagem da Tribuna.  Aliás, ele afirma que só contou o episódio ocorrido à família, mas a comunidade já sabe e o padre francês Etienne Kern da paróquia missionária de Nossa Senhora dos Alagados, a primeira do mundo dedicado ao Papa peregrino João Paulo II, abençoada por “João de Deus” durante visita em 7 de julho de 1980, foi consultado.

“Realmente eu fui ao Padre, dessa igreja aqui em cima, de Nossa Senhora dos Alagados, e ele não é brasileiro, é francês. Eu fui no dia seguinte, que os irmão católico da família, minha cunhada, mandou que eu procurasse ele. Conversei com ele, expliquei tudo”, disse.
“O acolhi, com toda abertura e de coração, como a qualquer pessoa que bati à porta da igreja. O acompanhei ouvindo a estória e entrei no discernimento espiritual, que não precisa passar por provas materiais. Eu não aceitei  ver as fotos no celular. A partir daquilo que eu ouvi, eu não reconheço a existência de nenhum fenômeno sobrenatural”, declarou o padre.

“As aparições de Lurdes, de Fátima, e depois de outras aparições, havia uma multidão presente que não via nada. Porque é algo que acontece com a pessoa, que não pode ser registrado por uma câmara, um microfone ou uma máquina fotográfica, um evento espiritual. Os documentos fotográficos nunca, para a igreja, constituem uma prova a favor ou contra. A igreja sempre disse que fenômenos extraordinários e sobrenaturais podem acontecer, mas há sempre necessidade de um discernimento pela igreja, para saber se vem de Deus e qual é o acompanhamento pastoral a ter”, acrescentou.

A família inteira se emocionou

A sobrinha de Orlando, Michele da Silva, 32, que dá aula de musculação e trabalha na feira, acredita nas palavras do tio e revela que a família toda chorou ao tomar conhecimento do episódio: “É uma estória muito incrível! Não existe montagem. Isso aí é real. Eu tenho a certeza que ela apareceu, porque sempre painho falou dessa luz dela e de que isso aqui nunca poderia acabar”, diz recordando o Mestre Pé de Ferro.

“Ele falou assim”, continuou Michele: ”Acredite que isso aqui nunca vai acabar, mesmo que eu não tiver mais aqui.  Acredite que a luz de Nossa Senhora sempre vai estar neste espaço, principalmente por minhas crianças – referindo-se aos meninos de rua que abrigava na capoeira –  e vai chegar uma hora que vocês vão acreditar no que estou falando”.

Michele diz que a Associação precisa de ajuda, pois o único apoio vem é de um grupo da Alemanha, através do capoeirista Léo, que aprendeu a “jogar” na casa e hoje mora na Europa. Orlando também volta a falar dizendo que já viu também algo no céu, mais uma vez à noite, lembrando um sol vermelho, que depois mostra no celular e parecer ter cara de alienígena. Mas essa é outra estória.