Pesquisas avaliam inclusão financeira de famílias beneficiárias do Bolsa Família

Mais de 62% do público analisado é organizado com a gestão de seu orçamento. O tema foi apresentado durante a última edição do evento Sexta com Debate em 2018

Autor: N1 BAHIA

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Pesquisas avaliam inclusão financeira de famílias beneficiárias do Bolsa Família
Pesquisas avaliam inclusão financeira de famílias beneficiárias do Bolsa Família – Foto: Reprodução

 

Entender o comportamento financeiro das famílias de baixa renda e beneficiárias do Bolsa Família para elaborar estratégias que apoiem a superação da pobreza. Para contribuir com essa discussão, dois estudos que analisaram o consumo, o orçamento e a forma de gerenciamento financeiro desses grupos foram apresentados pelo diretor executivo da empresa de pesquisa e consultoria Plano CDE, Maurício de Almeida Prado, nesta segunda-feira (17), em Brasília. A discussão ocorreu durante a última edição do evento Sexta com Debate de 2018, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

No primeiro estudo, realizado em 2014, a empresa acompanhou 123 famílias beneficiárias do Bolsa Família em São Paulo, Recife, Salvador e Rio de Janeiro, visitadas por pesquisadores que que registravam informações sobre o comportamento financeiro em diários quinzenais. Um dos pontos constatados foi a grande variação na renda das famílias a cada período, evidenciando a importância da participação do Bolsa Família nos momentos de maior vulnerabilidade.

“O programa é muito importante no mês que não entra quase nada de dinheiro no orçamento dessas residências. Se analisarmos somente o mês em que se recebe mais, podemos ser injustos”, avaliou Maurício Prado.

A pesquisa demonstrou ainda que as principais despesas das famílias estão ligadas à alimentação e à moradia, além de gastos como transporte e saúde. Despesas relativas aos cuidados com os filhos também são prioridades. Outra característica destacada pelo diretor foi  a opção pela internet em famílias com filhos menores, em detrimento, inclusive, de itens alimentares. “O consumo não é simplesmente algo racional, é também simbólico e serve para identificar que a pessoa faz parte de um determinado grupo. A internet, por exemplo, pode ser uma aliada devido à violência, porque prende os filhos dentro de casa,” aponta.

Gestão de gastos

Também foi possível identificar que mais de 62% das famílias eram organizadas com a gestão do orçamento. “Existe uma imagem pré-concebida de que a família mais pobre não sabe lidar com o dinheiro. No entanto, eles têm uma capacidade sofisticada de gerir suas contas e não gastar muito além do que têm para o sustento da família”, disse o diretor da Plano CDE.

O segundo estudo confirmou a tese. Após entrevistar mais de 1,5 mil pessoas das classes C, D e E, nas cinco regiões do país em 2016, foi possível identificar os perfis de consumo das famílias: mais de 60% estavam entre conservadores e planejados. “É necessário criar produtos e serviços que atendam melhor este público de mais de 113 milhões de pessoas e, além disso, promover educação financeira para a outra parcela da população”, sugeriu Prado.

De acordo com o diretor do Departamento de Avaliação da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação (Sagi) do MDS, Ronaldo Souza da Silva, o debate desta segunda-feira finalizou um ciclo de discussão e compreensão sobre estratégias que ajudem as famílias em vulnerabilidade a se emanciparem e superarem a pobreza. “Começamos o ano discutindo sobre empreendedorismo; passamos pela focalização do Bolsa Família e avaliação do perfil dos beneficiários; até chegar ao fim de 2018 com esses dados. A informações vão agregar e direcionar nosso trabalho daqui para frente”, ressaltou o diretor.