“Doença do beijo”: Verão traz a preocupação de volta em Salvador

Autor: Tribuna da Bahia

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A alta estação na Bahia não se constitui apenas de calor e praias, mas também de uma grande quantidade de festas, principalmente na capital.

E são nestas festas que reside a preocupação de muitos profissionais de saúde, principalmente com as doenças facilmente transmitidas – entre elas a Mononucleose Infecciosa, conhecida popularmente como “doença do beijo”.

Causada pelo vírus Epstein-Barr, que pertence ao Grupo Herpes, a doença tem baixa mortalidade e letalidade, mas pode se manifestar de forma aguda com sintomas como febre, inapetência, dores de cabeça e de garganta, fadiga, mal estar, sudorese, perda de apetite, inchaço nos gânglios e até alterações no fígado e baço.

Em adultos, os sintomas chegam a durar até oito semanas. Neste período, o tratamento se resume em combater os sintomas com antitérmicos, analgésicos, anti-inflamatórios e bastante repouso. Como nas demais viroses, não há medicamentos específicos contra a mononucleose.

Não existem vacinas para prevenir a Mononucleose. Mais comum entre indivíduos de 15 a 25 anos, a patologia não poupa as crianças, mas costuma ser mais branda nos pequenos.

Transmissão

De acordo com a ortodontista e cirurgiã dentista, Tasylla Barreto, a principal forma de transmissão do vírus é através da saliva, os períodos de maior proliferação da doença acabam sendo fatalmente durante o carnaval. Pela mesma razão, a Bahia acaba registrando um grande número de ocorrências nesta época do ano, devido ao grande número de festas e aglomerações tradicionais do período.

Além disso, a Mononucleose é uma doença “sem rosto” – ou seja, tal como outras DST’s, não há como identificar se a pessoa é ou não portadora do vírus apenas pela sua aparência. Outro fator a ser considerado é que, no ato de dividir um copo, latinha, talheres ou qualquer outro recipiente líquido também há risco de contaminação, assim como a tosse, espirros e catarro.

Por isso, o meio mais radical de evitar a doença é justamente aquele que poucos foliões gostariam de seguir – que seria justamente evitar qualquer contato com a saliva, seja através do beijo ou dividindo recipientes. Para quem não consegue curtir a festa de outras formas, a ortodontista recomenda outras formas de prevenir e evitar danos maiores ao corpo, caso se contraia a mononucleose.

“O vírus se manifesta com mais ou menos intensidade, a depender do organismo de cada pessoa, e sua imunidade. Por isso, o mais recomendado é que esta pessoa tenha uma vida saudável fora das festas, dando importância à alimentação balanceada e às atividades físicas”, destacou Tasylla.

Visão do profissional

A especialista alerta também que a mononucleose é uma doença benigna que pode ser assintomática ou facilmente confundida com outras doenças respiratórias. O diagnóstico preciso é muito importante porque ela pode ser confundida com doenças causadas por outros vírus devido aos sintomas semelhantes.

“Para confirmar o diagnóstico clínico, exames laboratoriais devem ser feitos para detectar o vírus”, acrescenta a ortodontista, lembrando da importância de manter visitas regulares ao dentista para avaliar a saúde bucal e buscar orientações necessárias. “Além da mononucleose infecciosa, a herpes labial é uma doença também transmitida pela saliva e, consequentemente, pelo beijo”, conclui.